Editorial
R$ 33 milhões?

A Universidade Pública de Taubaté dispunha em caixa como reserva, há menos de quatro anos, a cifra de R$ 33 milhões de reais e segundo consta junto a bandeira do Banco Santander. Significava 1/3 dos valores orçamentários, o que assegurava certa tranqüilidade administrativa e poderia projetar o horizonte com investimentos necessários para adequar o ensino superior aos desafios da competitividade. Com tais números a atual reitora foi até a Câmara de Taubaté logo após a sua posse e com arroubos anunciou a construção (?) de novo hospital universitário, além da venda da Villa Santo Aleixo, do "campus" de Ubatuba e do prédio da Fust (Fundação de Saúde). Vereadores açodados chegaram a discursar que a "visita da reitora ao legislativo foi histórica" (?). Nesta ópera bufa, a marcha dos acontecimentos demonstrou que argumentos gerais que não se baseiam na análise dos fatos reais, só têm valor hipotético. Segundo Horácio "tudo obedece ao dinheiro", principalmente na gestão pública - e privada - porque o zelo pela moeda é de tal sorte necessária para equilibrar o custeio, os investimentos e as reservas. Infelizmente, na atual gestão da reitora escolhida pelo prefeito Roberto Pereira Peixoto de lista tríplice, a gestão financeira foi desastrosa. Começou pela absurda proposta de venda do marco histórico da Villa Santo Aleixo - remanescente do ciclo cafeeiro e das "Cidades Mortas" de Monteiro Lobato - fato barrado pelos atuais vereadores em memorável processo que contou com apoiamento de setores culturais da cidade e até da Defensoria Pública. Por seguinte, não foi levada a bom êxito a pretensa venda do "campus" academico de Ubatuba, pela falta de compradores. Por fim, a construção do novo hospital escafedeu-se, porque não basta a edificação de moderno prédio, mas sim a manutenção do custoso sistema de saúde. Pelo sim e pelo não, a Unitau dispunha em caixa no passado recente de R$ 33 milhões em reservas. O ensino superior sempre foi lucrativo. Tanto é verdade que a Universidade adquiriu ao longo de décadas valioso patrimônio imobiliário. Chegou-se ao requinte de manuseando os números atingir os exatos metros quadrados de área construída da Unitau. Nos últimos tempos a concorrência ficou acirrada e a autarquia foi passada para trás. São mais de 16 mil estudantes, mas aumentou o numero do alunado inadimplente. O déficit bateu na porta da autarquia e não se soube suplantar os obstáculos e hoje não é "azul" a situação financeira, pelo contrário. As eleições estão previstas para os próximos meses e persistem sonhos. O semanário "Contato" publicou entrevista candidato a sucessão que revelou o plano de trabalho: construção de hospital (?), implantação de três "campus" (?), instalar a Internet sem fio "de graça" na cidade (?). É de se perguntar como a letra do sambinha: "com que dinheiro". Senhor prefeito! A situação é séria. A própria Unitau informou que a inadimplência chegou aos 40%. Investimento em pesquisa é quase zero, a não ser determinados levantamentos de opinião pública que em nada influem. As reservas estão zeradas: para onde foram R$ 33 milhões de reais? Neste caminhar a autarquia municipal e única universidade publica do Vale do Paraíba pode trilhar série crise e abalar o sistema educacional. Em última instância se ocorrer a "quebra" financeira do ensino superior será a prefeitura de Taubaté que deverá arcar com os vencimentos de 1.660 servidores e, em conseqüência, vai causar danos ao IPMT - Instituto de Previdência do Município. Será processo em cadeia com desdobramentos funestos. Questiona-se: qual a planilha de desvio dos recursos dos aplicativos nos últimos dois anos? É o momento para o Legislativo que tem a finalidade de fiscalizar, questionar e saber para onde foram dissolvidos os R$ 33 milhões de reservas da Universidade? Ou não foram? Informou-se que o déficit no último ano foi na ordem de 6%. Não seria mais? A situação é muito séria.
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